sexta-feira, 20 de abril de 2012

Retalhos


Havia um homem de pano
não era seda nem nada
suas riquezas eram intangíveis
e as vozes duvidavam
que mentira
que ultraje

Havia um homem de trapos
mas eram trapos limpos
memória ali não havia
não tinha amor
detinha círculos vazios
que jorravam lagrimas de cristais

Mas ele caminhava incessante
sem rumo ainda que
seus pés não doíam
nem pés ele tinha

E foi que houve
nem no meio dia
nem no calar da noite
mas entre os dois
na estação das flores
ele desfaleceu

De índole duvidosa
uma alma o recolheu
com suaves mãos
e olhar de ternura
era bom
era magico
era vivo

E alguns espaços avançaram
juntos
tão distantes
e quando os olhos de botões se afastavam
sua salvadora não ria
sua face se dissolvia em sal

E num desfecho incomum
de mais uma hora comum
o pobre monte de tecidos lançou
ao chão
compadecido de clemência
o abraçou
junto com as mil pétalas que encerravam a estação
e ficou ali repousado
as cores murchando
junto com seu coração em retalhos

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