Ela gastou muito da vida
rodopiando em catavento de flores
mais ou menos todas tinham espinhos
veneno que a adormecia
E ela cobrou demais da brisa
enquanto balançava cima e abaixo
numa brincadeira inversa
de tráfego das idéias comuns
Mas ela não se importava
jogava amarelinha de dois pés
caminhava saltitando
com olhos fechados
e o coração aberto
ela criou seu paraíso
Em particular ela foi julgada
por juízes de manto negro
Mas em plateias
eles se vestiam de branco
com rostos amigáveis
sorriam e tudo
Então ela pagou o destino
com uns trocados
bolas de goma
e magoas guardadas
mas sorriu desde o começo
ela já tinha inventado seu paraíso
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